A matéria falava que a beleza está relacionada à simetria do rosto e corpo como um todo. Quanto mais parecidos nossas metades, tendemos a ser mais belos.
A princípio, isto se tornou um parâmetro a mais para julgar a beleza alheia. Mas com o tempo isso começou a influenciar demais no meu dia-a-dia.
Primeiro, algumas pessoas que eu achava bonitas tornaram-se distorcidas, tortas. Começou a ficar mais difícil de considerar alguém belo, principalmente as mulheres tornaram-se alvos fáceis. Chegou ao ponto de eu não conseguir conversar direito com alguém que tivesse a cara meio desalinhada, principalmente se os olhos fossem fora de prumo.
Tornou-se uma obsessão, eu acabava analisando simplesmente todo mundo, inclusive eu. Cheguei a ponto de não conseguir me olhar direito no espelho. Era como aquela música chata que grava na cabeça, ou quando você percebe a própria respiração e ela deixa de ser voluntária. Quanto mais você tenta esquecer, mais fica gravado em sua mente.
Mas isso foi útil em alguns aspectos. Primeiro percebi, que em filmes e novelas dificilmente alguém é enquadrado de frente, geralmente é um ângulo que mostre a fronte e a lateral do rosto. Isso ajuda a disfarçar os tortinhos.
Por outro lado não conseguia mais ver telejornais, porque os apresentadores estão sempre de frente. Acho que são eles os mais expostos e colocados à prova de suas simetrias ou assimetrias.
Se alguém estiver com vontade de ir até o espelho agora, pense melhor.
