
A escuridão invadiu a sala. Mas era uma escuridão de silêncio também.
Aqui no prédio os moradores são na maioria solteiros ou aposentados, o que deu um toque sombrio ao momento. Nenhuma família conversando, apenas o escuro e o silêncio, ou solidão.
Entro no ap, ainda há um resquício da tempestade que arrancou a luz da noite. Dou uma olhada para ver se não há nenhum assaltante ou fantasma me fazendo companhia. Tento ligar a luz, um gesto mecânico, já que não há mais luz. Vou pegar uma vela.
Sento no sofá e vejo que minha vida tinha acabado também. Não havia TV, música, internet. Nem lavar a louça eu podia. Resolvo tomar um sorvete para meditar a respeito.
Pensei “preciso colocar este momento no papel”. Mas meu papel, o pczão, estava forçosamente desligado. De qualquer forma percebi que todo o sentimento não seria transposto do momento para o papel. Tomo mais uma colherada de sorvete.
Estava decidido: vou descer e ficar jogando conversa fora com o porteiro. Me dirijo às chinelas, mas era tarde. A luz havia voltado.
Ligo a TV e vou dar uma olhada nos emails.