quinta-feira, outubro 26, 2006

Crônicas de um Passat 78

A entrega

O dono do Passat o levou até a minha casa no bairro Portão, mas eu tinha que levar o sujeito de volta ao bairro Fazendinha. Pra quem mora em Beverly Hills, Batel ou Alphaville, o Fazendinha fica bem longe, mais ou menos na borda do mundo.

Era um domingo à noite com neblina e o lobos uivavam no Fazendinha.
A medida que me adentrava no bairro do nosso amigo, o antigo proprietário naturalmente foi conversando comigo, porém os assuntos não estavam sendo dos mais alentadores.

Ele revelou que era ex-policial e que havia muitas pessoas que não eram muito chegados a sua pessoa e que muitos deles conheciam detalhes da vida dele, inclusive o carro que ele usava, no caso, o que eu estava dirigindo naquele instante. Como eu ia pagar com cheques pré-datados pensei “ah, ele só está fazendo medo pra eu não sacanear com o pagamento”. Mas a realidade mostrou-se mais aterrorizante.

Próximo do destino, as ruas ficavam mais escuras, a neblina e o cheiro de carne repousavam mais intensamente pelo ar. Então ele me instruiu que ao voltar para minha casa parasse o carro e abastecesse imediatamente, já que a gasolina estava na reserva. Um frio correu pela espinha. Parei a uma quadra de sua casa (o pavimento não havia chegado àquela rua do Fazendinha e havia chovido na véspera). Antes de ele saltar, tateou os bolsos e disse “Puta merda, esqueci o meu revólver. Mas ok, pode ir”.

A essa altura estava mais preocupado em parar em uma farmácia para providenciar uma fralda do que abastecer o Passatão. Mas a uma velocidade nunca vista antes no bairro da Fazendinha atravessei as ruas esburacadas e sinistras e consegui abastecer o veículo e prosseguir ao meu destino de casa.

domingo, outubro 15, 2006

Crônicas de um Passat 78


A compra

Como o Passatoso foi o primeiro carro que comprei, resolvi convidar alguém que entendesse de carros mais do que eu para averiguar a sua qualidade. Chamei então o meu amigo Sr. Burns, a lenda viva do CEFET.

Lembro dele colocando a mão atrás da saída do escape para verificar a qualidade da fumaça. A mão ficou tão preta que ele até comentou “ainda bem que não coloquei minha cara aqui, hehe”. Então ele proclamou em tom solene “isso é apenas fuligem, o motor está bom”. Perguntei ao dono “ele não está baixando óleo?”. Para quem não sabe, isso quer dizer que o motor está com desgaste e começa a queimar o óleo lubrificante junto com a gasolina. Resposta: “não, não, ta novo”.

Ele queimava tanto óleo que pensei em fazer um bocal de óleo ao lado do de gasolina abastecer com maior agilidade. Mas justiça seja feita, o motor ap da VW dura muito tempo mesmo nesse estado. Viajei várias vezes pra minha terra natal e não tive problema algum, aliás, todo o carro funcionou muito bem. Eram 1050 km ida e volta. Muito bom pra um velhinho ano 78.