sexta-feira, junho 26, 2009

Quando meu filho fizer três ou dez anos


Vou adorar aquela sua timidez que tão bem conheço. Aquela preferência por ficar perto da gente ao invés dos outros. Sua empatia pelo segurança do que está fechado, ou seja, nós. Mas também vou odiar essa quase incapacidade de confiar nos outros, sua dificuldade em dar um sorriso para quem acaba de chegar, seu pavor pelo desconhecido.

Claro vou achar lindo quando ele quiser ter um cachorro, ou gato, e amá-lo bastante, ao invés de maltratá-lo como boa parte dos meninos fazem para se divertir. Vou me emocionar quando ele perguntar embasbacado por que as pessoas estão matando umas às outras nos noticiários. Por outro lado vou ficar puto quando ele não souber reconhecer a maldade nos outros ou mesmo retribuí-la em boa medida quando for atacado por algum certo diabinho.

Acharei bastante maduro quando ele vier me pedir para comprar milhares de coisas no shopping e não fizer um escândalo e se debater chorando quando eu disser não. Mas depois irei refletir se isso não é apenas falta de vontade ou baixo interesse e pelas coisas, também conhecido como bunda-molice.

Suas notas na escola serão excelentes e os professores vão usá-lo como exemplo de bom aluno. Vou adorar assinar seu lustroso boletim com belíssimos resultados. Mas também ficarei muito preocupado ao saber que enquanto isso uma boa parcela dos alunos vai odiá-lo e hostilizá-lo por isso e provavelmente ele não vai saber se defender ou usar essa qualidade ao seu favor. Provavelmente ele vai achar que passar cola é algo errado e não uma possibilidade de se socializar.

Vou ficar feliz ao ver que seus cotovelos e joelhos não estarão constantemente estourados porque ele prefere ficar em casa desenhando ou inventando bricandeiras sozinho. Por outro lado vou achar que ele é muito cagão para pegar sua bicicleta ou skate e provar o gosto do asfalto.

Mas estranhamente, no fim, acho que vou amá-lo na maior parte do tempo.

sexta-feira, junho 12, 2009

Car Hunter


Descobri minha nova profissão. Funciona assim, você quer comprar um carro usado, mas não sabe por onde começar. Então você chama o Car Hunter. Eu vou junto e digo se o carro é joinha ou uma merda remendada ao meio com Durepoxi.

Pois bem, por enquanto é brincadeira, mas estou de verdade ajudando um amigo a comprar um carro usado. Vou contar dois acontecidos, bem medonhos.

1- Fomos a uma mega garagem, devia ter mais de 200 carros, não sei, eram muitos. Olhei basicamente todos e confesso que saí de lá quase passando mal. Por que? Amo carros e parecia que eu estava num filme de zumbis! TODOS que vi, menos os zero km, tinha sido repintados. A média eram carros reformados da pior forma possível, com acabamentos medonhos e peças de segunda. E tinha carro 2008 nesse estado.

2- Fomos a uma Concessionária VW (podia ser FIAT, etc) onde o nível dos usados é melhor. Quando meu brother foi a primeira vez, sozinho, a história é que seriam vários carros de uma frota, revisados, 2006, em perfeito estado. Convite para a família ver os carros, tudo lindo. Mas eis que surge a minha pessoa.

O primeiro que vi tinha sido repintado em várias partes com direito a respingo de tinta branca nos cintos de segurança e grade dianteira. Furos dos parafusos do pára-choque traseiro enferrujados e trincados. Esse era o carrinho bom. O ruim, o vendedor teve que admitir que não ia ser vendido ali de tão medonho (ia ser repassado para um garagista picareta qualquer). Bom, mas e se eu não tivesse aparecido? Será que o vendedor iria admitir que o carro estava ruim?

Ah, teve outra passagem linda. O carro mais bonito do pátio, filé total, tinha acabado de chegar. Perguntei o preço ao vendedor, mas ele mal sabia. Disse que queria comprar pra ele, mas não era papo de vendedor. Enquanto víamos as bombas, simplesmente o carro sumiu do pátio. Na volta perguntei ao tal vendedor e ninguém sabia de nada. Pareceu que foram guardar o tesourinho.

Um exemplo hipotético de como funciona o mercado da picaretagem: digamos que o carro valha pela tabela R$ 19mil. O garagista compra o carro batido por 9mil. Se ele fosse reformar direito, com um bom funileiro, peças originais, o conserto iria custar, digamos 7 mil. Total: 16 mil. Se ele vendesse o carro a 19 ganharia 3 mil. Estaria justo. Mas não, o cara reforma igual a bunda dele, usa peça de desmanche, de quinta categoria, gasta 4 mil e vende por bom e lucra o dobro. Ele é obrigado a dar 3 meses de garantia, e dentro disso a bomba não explode. Depois, boa sorte.

Mas e porque não levar a sério essa profissão, Car Hunter? Primeiro tenho amor a vida e esse negócio de usados é from hell, na boa. Segundo porque só entendo o básico de mecânica, não poderia garantir o carro 100%. Mas em duas visitas consegui suscitar ódio mortal dos vendedores. Não tem problema, é recíproco.

O foda da situação é que os bons carros, originais ou bem tratados, geralmente acabam na mão de pessoas malvadas e feiosas. E as pessoas de boa índole, que não são obrigadas a entender do negócio e só querem comprar seu carrinho, acabam muitas vezes comprando um câncer. Isso não está certo.

quarta-feira, junho 03, 2009

Sonho da Noite Passada


...eu estava andando em um local estranho, era parecido com mato, mas não haviam muitas árvores. Ao mesmo tempo acontecia minha festa de aniversário de 20 anos atrás. As crianças, inclusive o mini-eu, não percebiam, mas o local estava cheio de teias de aranha espalhadas estrategicamente entre as árvores.

Mas como as aracnídeas eram bem pequenas não me preocupei e resolvi sair dali. Comecei a me desembaraçar da trama de teias, mas, ao contrário da minha vontade, elas começaram a grudar. E as pequenas aranhas começaram a se dirigir à sua nova presa. Bate daqui, espanta de lá, e as pequeninas não paravam de vir. Um leve pânico torna-se desespero quando esmago uma aranha marrom que acaba de me picar.

Começo a correr, pessoas me oferecem ajuda e eu recuso dizendo que primeiro queria passar em casa. Corri.e corri. E comecei a cansar, a vista começou a embaçar. Paro um pouco para descansar. Corro mais um pouco e começo a apagar... não há mais ninguém para ajudar agora.

Olho pra frente, é um lugar bonito. Uma espécie de vale, em desnível, quase uma cratera cercada de árvores, com muita grama verdinha.

-Será que é isso, assim que termina? Pra não acabar de qualquer jeito, uma última e suculenta refeição pra vista? A puta que lhe pariste! Já vi coisa bem melhor, vou levantar e fugir daqui!

E fui embora em direção da...

(foto - SXC)

quarta-feira, maio 06, 2009

E no mais?



Nem tudo está bem. E nem tudo está ruim. Mas, sabe, hoje parece que sim.

Tem o sol, que é um cara bacana. E hoje ele está brilhando como nunca, só que não ilumina. Tem a comida, saborosa, mas não estou muito afim dela. Tem o trabalho, que nunca foi tão bom, mas hoje parece tão cansativo. Tem a faculdade. Finalmente estou onde queria. Será? Tem os amigos. Caralho, estes não tem preço.

E tem ela. Bem, parece que não tem mais. Tinha, mas acabou. E assim foi.

E tem os olhos. Ah, mas esses vêem demais, em especial o que não deveriam. Coisas que não importam. Coisas que importam demais, mas são só mais um frame na retina, estão cada vez mais longe. E são olhos que, infelizmente, enxergam melhor o que está longe. Talvez a hipermetropia.

Então os olhos assumem outra função. Ficam inseguros, passam a olhar para o chão. Também gostam de ficar fechados. De súbito, tudo escurece e quando se abrem estão estranhamente úmidos. Mas, não o suficiente para que o líquido exerça sua natural fuga. Não. Não há tempo, não há espaço, não há motivos. Assim é o mundo. O meu.

domingo, abril 26, 2009

Gírias Duvidosas


Dois anos atrás estava conversando com um funcionário de uma empresa e soltei a seguinte:

-Você é um cara cobra, resolve tudo que é pepino.
-Cobra? Como assim?

Como ele é uns 10 anos mais velho que eu, pensei que fosse uma gíria jovem pra ele. Mas essa semana tudo se esclareceu.

Tenho um professor que dá aula pra publicidade como se estivesse na década de 70. “Gente, se o cara for abrir uma franquia deste porte usando catálogos, tem que ser cobra”. Ou seja, usei uma gíria um pouquinho defasada. Muito old school, saca?

Como há tempos deixei de ser jovem e há tempos possuo a síndrome da não formatura universitária, acontece o seguinte. Convivo com pessoas mais jovens e descoladas que eu. E minhas gírias ficam entre estes dois mundos, os cria(teen)vos da comunicação e o meu mundo, com dor nas costas e barriga de cerveja. Ok, este último foi uma força de expressão.

Uma shortlist de gírias e expressões duvidosas e que ainda uso às vezes, foda:

-Legal: acho que não há problemas, mesmo pq deixou de ser gíria. Mas não passa confiança. Bacana é mais adequado, mas não sei por quanto tempo.
-Massa: lembro do exato dia que ouvi essa gíria, eu tinha 12 anos, faça as contas.
-Jóia: quase não uso, mas quando uso fico deprimido nos 30 minutos seguintes.
-Velho: brother seria mais adequado
-Rachide: ninguém mais faz rachide, é mais usual a intera.
-Boate: não sei qual seria equivalente. Balada é muito genérico, sei lá.
-Almoçar: veja, essa juventude não almoça mais, ranga. Essa gíria pode ter conotações safadinhas também.
-Detonar: sem comentários
-Nada a ver: acho que não tem nada a ver.

Tesão, curti este post, achei ducaralho. Agora ajuda ae pô, manda ver na gíria você acha cagada.

sexta-feira, março 06, 2009

Dança do ET

Como prometido, apesar de não acreditar que esteja postando isso de verdade, mas1 como acho que tenho vocação para pagar micos, mas 2, isso é assunto para o outro post, com vocês, a dança do ET!


Recomendo essa dança para aquela situação em que você está se portando de maneira absolutamente normal, tentando interagir com as pessoas na balada, mas ninguém faz questão de notar sua existência.Talvez alguém preste atenção em você. Boa sorte e espero que não seja o segurança do boteco.


Câmera Man: H, João Henrique The Pool

Powered by: AmBev

Sound: Rockafeller Skank – Norman Cook


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Blog: David after Dentist

Olá pessoas,

peguei pesado no último post (prometo não postar mais nada depois
de baladas etílicas). Alguns leitores cogitaram suicídio. Outras
homicídio. Mas em geral espero que queiram ver a dança do ET.

Então, para mostrar que o mundo é um local bacana, vejam
este vídeo mui divertido (originalmente no Updaters).

E a dança do ET é um compromisso como a Casas Bahia tem com os
preços baixos. Vou filmar, um dia, rs.

domingo, fevereiro 01, 2009

Operação ET



Como funciona: você está decidido a sair na night.
Mas, ou:

-É tarde da noite
-Se
us amigos estão sem grana
-Seus amigos têm outros compromissos
-Seus amigos estão casados
-Seus amigos estão dormindo
-Seus amigos estão viajando
-Seus amigos não são tão amigos
-Na verdade você não tem amigos
-Bem na real, todo mundo te odeia
-Você não passa de uma babaca
-Você não tem amigos, é uma escória ambulante
-Você é pobre (as mulheres tem menos orga
smos segundo pesquisas chinesas)
-Você é velho ou tem rugas visíveis, e é pobre.

Então você sai sozinho. Começa a operação ET. Todos vão lhe tratar como um extra-terrestre. Vão achar que você é um loser (sim, você é um loser). Alguns vão achar que você não passa de um psicopata que dança músicas dos anos 80. Vão revistar você na entrada do bar. As pessoas com deficiências físicas/mentais vão achar você cool.

Só resta você fazer a dança do ET (no próximo post).


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Porque me Tornei uma Mosca



E, como eu queria muito, acordei em 2009 em forma de uma mosca. Aviso ao Gregor Samsa: você deu azar. Agora vôo para qualquer lugar, que não tenha mata-moscas nem muitos pássaros esfomeados, é claro, e posso ver o que se passa na vida dos outros.

Não é fácil ser uma mosca, ou mosco no meu caso. Dizem que mosca adora botar bernes na cabeça dos outros, ou passear pelas bostas alheias e depois pousar em ensopados. Mas estou aqui como porta-voz desses bichinhos voadores para dizer que somos apenas curiosos. Ingemar Jansson me confessou que perdeu toda sua curiosidade, mas eu não queria ir pelo mesmo caminho. Então me tornei uma mosca.

Ser uma mosca é um grande remédio para a minha timidez. Posso primeiro te observar para saber como você é e evitar constrangimentos, como ficar sem assunto, por exemplo. E aos poucos vou deixando pra trás aquela casca anti-social que havia até então. Só que tenho que me esforçar. Como é da minha natureza ser fechado, não é da minha natureza ser uma mosca.

Com aquele corpo grande e desajeitado não conseguia entrar na vida de ninguém. Precisava me socializar, por isso estou aqui para dizer: qualquer dia passo na sua casa e você está convidado para vir até a minha. Mas nada de chinelos Havaianas, nem de qualquer marca, sou chinelofóbico. Fora isso, olá, tudo bem?

Feliz 2009!

sábado, dezembro 13, 2008

Videos toscosos

Um excelente clipe
assista até o final, é, digamos, o ponto alto.


Um excelente comercial de sorvetes
observe que em dado momento rola um clima entre a atriz e o sorvete.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Marcas Bizarras

Cada marca tem sua personalidade e blá blá blá. Mas algumas têm algo melhor: são bem estranhas. Algumas bizarras.

Alguém já ouviu falar da erva-mate Fuck? Muito tradicional em Santa Catarina, originária da cidade de Canoinhas. Imagine se fosse gaúcha esta marca...

Outra marca muito bacana é a Bigolin Materiais de Construção. Nem vou falar muito, deixo aqui uma sugestão de intervenção urbana, apenas.

Outra que gosto muito é a Mr. Cat. Acho que é a marca mais subversiva que existe. O símbolo da marca é um pato. Não seria mais adequado Mr. Duck? Não, porque aí não seria subversivo, ora buelas!

Chana automóveis. Que boceta de nome!

Por último Kouritos, o salgadinho mais natural que existe. Mas nem por isso é saudável. Ingredientes: pele de suíno frita e sal. Torresmo. Para quem tem problemas de emagrecimento excessivo é uma boa pedia.

E vcs, conhecem alguma boa?

domingo, novembro 02, 2008

60 por hora

O limite de velocidade no trânsito de Curitiba é de 60 km/h. Grande novidade... mas parece que é sim. Quando a sinalização manda diminuir para 40, se estiver passando em frente à uma escola, quando for fazer uma conversão e outras situações específicas tudo bem andar devagar. Mas parece que a maioria ignora essa informação e fica se arrastando pelas vias. Se quiser passear e andar a 30 na via rápida, que pelo menos fique na pista da direita. Mas não, parece que o povo tem uma vocação por sinal fechado.

Andando entre 50 e 60 você pega a maioria dos sinais abertos e não fica perdendo tempo e gastando gasolina à toa em todo sinaleiro. Olha, não quero parecer apressadinho, mas às vezes é de perder a paciência. Dá pra andar mais rápido sem perder a segurança, se não fosse assim o limite seria 40.

Quanto ao rush, não sei se há muito o que fazer, depois que começaram os mega Power Fucking feirões de diversos planetas todo mundo consegue ter seu carro. Talvez um metrô fosse bacana. Ou mesmo usar ao máximo o busão. Se bem que só se todo mundo se comprometer, porque em horário de pico só anda o biarticulado. E bike é legal, mas confesso que tenho medo de botar a magrela na rua, junto dos carros. Talvez a solução seja um Hummer blindado.

PS: em breve, pretendo escrever mais Crônicas do Passatão, só preciso lembrar dos detalhes.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Faltou luz, mas era noite.


A escuridão invadiu a sala. Mas era uma escuridão de silêncio também.
Aqui no prédio os moradores são na maioria solteiros ou aposentados, o que deu um toque sombrio ao momento. Nenhuma família conversando, apenas o escuro e o silêncio, ou solidão.

Entro no ap, ainda há um resquício da tempestade que arrancou a luz da noite. Dou uma olhada para ver se não há nenhum assaltante ou fantasma me fazendo companhia. Tento ligar a luz, um gesto mecânico, já que não há mais luz. Vou pegar uma vela.

Sento no sofá e vejo que minha vida tinha acabado também. Não havia TV, música, internet. Nem lavar a louça eu podia. Resolvo tomar um sorvete para meditar a respeito.

Pensei “preciso colocar este momento no papel”. Mas meu papel, o pczão, estava forçosamente desligado. De qualquer forma percebi que todo o sentimento não seria transposto do momento para o papel. Tomo mais uma colherada de sorvete.

Estava decidido: vou descer e ficar jogando conversa fora com o porteiro. Me dirijo às chinelas, mas era tarde. A luz havia voltado.

Ligo a TV e vou dar uma olhada nos emails.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Ensaio Sobre Cegueira x Linha de Passe

Ensaio sobre a Cegueira

Depois de fazer a crítica do livro, chegou a vez do filme. Então vem aquela velha história: é possível comparar filme com livro? Eu acho que não, mas das duas posso dizer qual mais gostei.
Foi o livro, mas porque achei o filme mal dirigido.

-Primeiro: o ator que abre o filme, o primeiro cego, um celebrado ator japonês, simplificando, se mostrou um bosta. Em momento algum conseguiu convencer. Culpa de quem? Do diretor, ora bolas. Começar o filme com o pé esquerdo é coisa de amador.
Tem um outro ator, o cego que já era cego antes do surto, o contador. Ele também escorrega várias vezes.

-Segundo: se as pessoas vão passar mal vendo este filme, não leiam o livro. A história é visceral, parece que você vai se atolando em um mar de cocô, literalmente. O chão vai ficando cada vez mais coberto de uma profusão infindável de merda. Por que não mostrar mais isso no filme? Ela dá um takezinho só no chão pra valer só uma vez, sendo que podia ter mostrado muito mais. Dá pra ir ver esse filme e levar as crianças, o pai, tranqüilo. Ok, nem tanto.

-Terceiro: cenas que são mal resolvidas. “Será onde acertou a tesourada? E o salto, crava mesmo na perna do infeliz?”. Mal dirigido ou excesso de sutileza, talvez, ruim com certeza.

Linha de Passe

Fui ver esse filme porque a atriz principal ganhou Cannes. Bom, um mau filme não podia ser. E não era, é um excelente filme. E olha só: o Walter Sales mandou ver, nada de amarelar.
Diversas cenas de moto em movimento, coisas tecnicamente difíceis de se resolver e o cara manda muito bem.

Alguma ressalva? A atriz. Ela não é tudo isso, aliás, em vários momentos achei meio fake a atuação. Em tempo: tem um moleque, o filho mais novo da personagem principal, deve ter uns 11 anos e atua como gente grande. Piá bão mesmo. O elenco em geral é muito bom.
Extremamente recomendado. Só um aviso, o final é aqueles finais que não resolvem toda a história. Pra quem gosta de finais tradicionais pode se decepcionar. Corre ver, que meio logo sai de cartaz!

quinta-feira, setembro 25, 2008

HDTV e Trânsito em SP


TV HD. High Definition? Onde?
Eu não me impressiono fácil, não vejo qualquer coisa que é hype e fico pagando pau porque é novidade, acho isso coisa de adolescente pentelho falante pain in the ass. Quando eu costumo babar em alguma coisa é porque eu achei legal de verdade. O último caso que me cheirou estranho são as TVs HD. Entrei em várias Fast Shop da vida e nenhum vendedor soube me explicar porque a imagem parece com uma foto de celular ou um jpg pixelado de baixa resolução. Quando é DVD melhora um pouco (não cheguei a ver um blueray) mas quando é TV eu gostaria de fazer a seguinte pergunta: onde está a alta definição? Caralho, a porra da minha TV de tubo ocupa a sala inteira, é um trambolho, mas com a antena coletiva do prédio (não tenho TV a gato) a imagem é melhor! Como pode? Se alguém puder me explicar a verdade fique à vontade.

Como melhorar o trânsito de SP capital
Falando com meu consultor de assuntos paulistas Leo, fiquei sabendo mais sobre um estudo que indica que lá por 2012 ou 14, seguindo o ritmo crescente do número de carros a cidade de SP iria parar totalmente. Mas em viagem pela tranqüila capital dos motoboys insanos ele pode constatar que a estatística estava errada: o trânsito não existe mais. O que há é um amontoado de carros parados, xingamentos diversos, agressões e surtos em geral. O bom é que eu tenho uma solução: com a tecnologia bluetooth as pessoas não precisam mais se estressar. Ao invés de xingar o amigo do carro ao lado o melhor mesmo é convidar o infeliz para um jogo de celular. Aí rola uma competição, os ânimos se concentram nisso e tudo pode virar uma festa. Já estou vendo comunidades se criando na internet: “Detono vc no Extreme Fire III no trânsito.” “Blood Blower players: SP comanda”.
(foto: site Primeira Mão)

terça-feira, setembro 02, 2008

Ano Eleitoral: Nice!

Propaganda Eleitoral Gratuita: Melhor que TV Paga
Put, ano de eleição, aquela merda de propaganda política para encher o saco? Não, puro entretenimento.As produções dos vereadores locais são muito trash, com candidatos que nem sabem direito o que estão fazendo lá.
O resultado é um espetáculo de horror dos mais divertidos. É um show de enquadramento cortando cabeças, sacadinhas que não sacam nada, senhoras candidadatas que não tem idade suficiente para completar o mandato e sorrisos tão naturais quanto as plásticas da Bety Faria. TV a cabo é chata perto da riqueza de cagadas que rolam na TV pobre.
É preparar o saco de pipoca, chamar alguém para dividir as risadas que é só diversão.

Vota Brasil

Não sei se vocês vão concordar comigo, mas eu acho que a atual campanha para incentivar os brasileiros a disperdiçarem seu tempo com votos e toda esta bobagem tem algo de semi-subversivo, principalmente na rádio. Se fosse eleição presidencial mais ainda.
Vejam a frase: "...quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem". Acho que desta forma dá uma certa impressão de que as coisas não vão bem agora, na atual gestão. Mas como a campanha é regional acho que não pesa tanto.
Ela poderia ser "...quatro anos é muito tempo, principalmente se as coisas não forem bem. Projetaria para uma possível má gestão futura.

O Meu Candidato: Lauro Rodrigues
A partir de um minuto ele manda ver!

sexta-feira, agosto 15, 2008

White Stripes Plagiando?


Há tempos atrás, rolou a polêmica de que música Dani California do Red Hot tinha o início igual à música Mary Jane Last Dance do Tom Petty. Ouvindo o solo da música reconheci uma nova chupada (termo publicitário para cópia) que constava em outra música do Red Hot, mas eu estava enganado.

Porém aquela melodia me soava muito conhecida. Não desisti, sou brasileiro, fiquei meses em busca da música maldita, conversei com amigos, entrei em contato com rádios, troquei uma idéia com meu chapa Frusciante…ok, isso tudo é mentira. Por acaso descobri a música.

Só podia ser uma música muito importante na minha vida: White Stripes, Fell in Love a Girl. O refrão com os “Ah-ah-ah-ah-aha” é muito perfeitamente igual ao solo da música do Tom Petty. Ouçam (aqui não aparece o tempo da música, clique no link se preferir)

-Tom Petty (a original): a partir dos 2:28
http://www.goear.com/listen.php?v=0be65a7


-White Stripes: a partir dos 00:45
http://www.goear.com/listen.php?v=7ba31d9

quinta-feira, agosto 07, 2008

Indian Thriller e Ano Eleitoral

Golimar-mar-mar

Esse é um dos meus yutubius preferidos. Mais de 11 milhões já viram e boa parte de vocês também, mas se um apenas estiver vendo pela primeira vez já vale o post. Quem quiser aprender a coreografia estou dando aulas de street dance indiano.
Vejam também o Thriller original do Michael Jackson:

http://www.youtube.com/watch?v=AtyJbIOZjS8&feature=related

Ano eleitoral: here comes the shit, tchu-ru-ru-ru.

A política tem por objetivo promover o bem social dos políticos, amigos e familiares e também do povo de vez em quando, se possível, conveniente ou a merda estiver fedendo além das esferas do suportável. Quem sai disso está louco, em vias de ficar ou a um passo de ser visto assim pelos demais.

Há uns anos atrás estava viajando de bus e aconteceu algo estranho: consegui dormir durante a viagem. Era a operação tapa buracos do ano de 2006. Eu fazia a merda desta viagem desde 1997 e como sempre houve buracos eu nunca parei pra pensar que eles não deveriam existir. Cheguei até ficar feliz, mas logo percebi que fui enganado: era ano de eleição federal e eu estava sobre uma BR. Pior, meio ano depois voltou a ser a mesma porcaria esburacada.

Quem mora em Curitiba, preste atenção no número de obras (eleitoreiras) que são visíveis a olho nu: reforma da praça do Japão, praça Tiradentes, mega iluminação da 7 de Setembro (essa foi colateral, porque as outras ruas agora parecem escuras e perigosas, hoho), reforma da Av. Mal. Floriano Peixoto. E não estou falando mal do prefeito, a oposição faria a mesma coisa.

Por isso gostaria que rolasse mais criatividade na hora de enganar a gente. É tão bom sentir o gosto de que a coisa vai melhorar, acreditar, mas desse jeito não funciona mais comigo. Fiquei tão feliz naquele ano de 2006 achando que poderia viajar por vários anos por uma estrada legal. Que saudades daqueles momentos. O ônibus não pulava, era lindo. O jeito é andar de jatinho.

quarta-feira, julho 30, 2008

Atentados à Infância

Deveria ser criada uma lei para punir pessoas que sacaneiam com as crianças. Há pessoas que criam produtos genéricos que são uma armadilha para os pais mais desavisados. Existe uma banda “B” de produtos, que vão na carona dos sucesso dos produtos desejados pelos pequerruchos.

-Pai, me compra o DVD dos “Carros”?

-Ok, filho, vou dar uma olhada.

Aí o pai, por acaso, na maior da boas intenções, dá uma passada nas Americanas e olha para um mega balaio de DVDs em promoção e vê o seguinte: “Carrinhos”.

-Olha, é o DVD que o meu filho pediu. E o preço é bem bom também.

Pronto, e fez-se a merda! O pai, todo contente com a ótima compra, manda empacotar o trauma em papel de presente.

-Olha filho, taqui seu presentinho.

Reação 1:

-Obaaaaa! Mas, mas, o que é isso? Carrinhos? Porra pai, que burro que você é, ainda bem que não puxei pra você, é Carros, CARROS!

Reação 2:

-Ebaaaa! Mas, o que é isso? Ai, ai, ai, estou sentindo uma dor no braço esquerdo papai, esta indo pro peito, socorro!

Reação 3:

-Legaaal! Carrinhos? Não sabia que tinha uma continuação de Carros. Obrigado papai. (Coloca o DVD). Ai, ai, ai, estou sentindo uma dor no braço esquerdo papai, esta indo pro peito, socorro!

Confiram também Ratatoing e Ursinho da Pesada (lançamento!).

terça-feira, julho 22, 2008

Lendas Rurais 2 - Carro Completo


Lendas Rurais (Continuação)

Como a garota estava muito agitada, sem condições de beber o leite, a mãe deixou o copo na cabeceira da cama e esperou um pouco, já era tarde da noite. Enquanto abraçava a cabeça cambaleante da filha, não pode perceber um rápido olhar da menina em direção do copo. De repente, sem explicações, ela foi se acalmando. A mãe sentiu-se aliviada e deitou-se um pouco ao lado da pobre doente, que não respirava mais de forma pesada, estava serena. A senhora aproximou o rosto para sentir melhor aquela tranqüilidade. Parou bem próxima do nariz, todo aquele tormento havia se convertido em uma paz que há tempo não se via naquela casa. Olhou aqueles olhos fechados e tranqüilos, deu um beijo de boa noite apagou a luz e foi dormir.

A luz da lua invadia o quarto deixando um aspecto esbranquiçado por todos os cômodos. Enquanto a família dormia deu-se o inesperado. Lentamente a garota, de seu sono profundo, foi abrindo a boca. De dentro começou a sair uma coisa fina e longa, que foi se esgueirando em direção da cabeceira, com destino certo: o copo de leite. Era uma enorme solitária que bebia tranquilamente o liquido até a última gota. Terminada a tarefa, foi voltando lentamente em direção da boca da garota, na qual desapareceu novamente.

Ninguém até hoje sabe o que se passou direito com aquela garota, mas o que contam os antigos, é que ela nunca mais dormiu sem um copo de leite ao lado da cama.

Carro Completo

Sempre que você conversa com um vendedor de carros ou mesmo vê um daqueles programas picaretas que mostram garagem de revendas de usados batidos e reformados usando cuspe e massa durepoxi, você acaba ouvindo: “o carro é completo”. Se um dia ouvir isso, saiba que no fim da frase está incluído um invisível “virgula otário”.

“Completo” originalmente servia para dizer que o carro possuía todos os itens opcionais (por exemplo, poderia ser direção hidráulica, ar condicionado) além dos itens de série (volante, pneus, haha). Mas, por exemplo, um carro popular com todos os opcionais, “completo”, provavelmente será bem menos completo que o mesmo modelo de uma série um pouco mais refinada.

Portanto, o termo tornou-se uma forma de vender um carro meia-boca passando a impressão ao esperançoso comprador de que ele fez uma excelente compra. Me poupe!