segunda-feira, novembro 12, 2007

Filme: O Cheiro do Ralo




Rolou a excepcional segunda-feira do pobre na rede Cinermark esta semana. O projeto apresentava filmes nacionais a preço único de apenas, dois realzitos.Eu, que adoro uma promoção, tive a oportunidade de ver um filme muito do caralho e que já estava fora de cartaz, O Cheiro do Ralo.

Conta com Selton Melo no elenco, e ele manda ver. Muito bom.Fora ele, o roteiro é muito louco, trazendo situações bizarras e fora do que estamos acostumados a digerir lá da terra do Mc Donalds. Mas isso nãoquer dizer que seja inacessível. Apesar de um pouco estranho, dá pra dar muitas e ótimas risadas. É o tipo de de coisa que gosto, bom de ver sem ser superficial.

O personagem principal é um cara que tem um depósito e compra de tudo o que as pessoas levarem até lá. É tudo meio absurdo, o filme só mostra ele comprando, nunca vende nada e a forma com que ele avalia as mercadorias só faz sentido paraele. Ah, a pira do cara é comprar a bunda de uma garçonete, literalmente. Isso dá um bom roteiro. Tem em DVD na Vídeo 1 e na Cartoon.

Tropa de Elite também recomendo, no caso para quem não estava no planeta terra e não pode ver ainda.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Raimundos, porra!


Este é um post revoltado, pois acabei de ouvir o cd do Raimundos “Lavo Tá Novo”, com o volume adequado.

Na época que o Raimundos faziam sucesso, os críticos os chamavam de sexistas, machistas e que a banda era uma merda. Bom, se a banda deixava os sexo à flor da pele o mesmo acontecia com a hipocrisia dos intelectualóides frescóides de plantão. Quanto às mulheres que não gostam tanto de pau, acho que podiam ouvir Los Hermanos ou mesmo entrar na sapataria mais próxima. Prova de que as mulheres gostam de pinto, é o fato de que os shows lotavam de mulheres. Também é possível observar que ainda nascem bebês.

Puta merda, uma banda de rock brasileira que não soe como Lulu Santos acelerado era coisa rara, o som deles era ótimo em termos técnicos e pop. Aquela barulheira de guitarras, bateria e tudo que podemos chamar de rock, até então causava alergia aos ouvidos suaves e suingados da brasileirada. Mas eles conseguiram finalmente fazer rock no reino de Sangalo.

Pega essa porrada de CPM22 e cópias pioradas que estão fazendo “sucesso” e compare com as letras dos Raimundos. Regionalismos, letras bem escritas e sacadas simplesmente esmagam esse lixo chocho classificado atualmente de rock.

Só não peço a Deus para que volte o Raimundos porque foi culpa dele a saída de Rodolfo. Na boa tradição do rock, que o cramulhão ilumine de preto a vida dele e faça-o voltar ao Raimundos.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Atari x Mosca

Li numa revista certa vez que o subconsciente ou inconsciente ou sei lá que parte do cérebro das pessoas reconhece games como realidade. Mas eu descobri que isso pode ser pior. Estava eu jogando um game que me marcou na infância, o Phoenix (nós líamos “Poeníx” em Pinhalzinho) num saudoso emulador dos Atari.

Pois bem, estava eu a caçar os monstros(?) voadores quando comecei a ser atacado por uma mosca na vida real. Começou uma cena doidera total mesmo, sério: ao mesmo tempo que tentava matar meus inimigos virtuais usava meu mata-moscas para atacar a mosca. Mas eu estava bem mais preocupado em bater meu recorde do que eliminar o inseto. Isso lança uma nova luz sobre os quesitos games, cérebro e ciência como um todo.

Acredito que o cérebro leva mais a sério o mundo virtual que o real. Se a mosca me atacasse poderia pegar alguma doença contagiosa. Ou então se ela me picasse, convenientemente, poderia pegar um berne. Ou vários! Mas ao invés de me defender do perigo iminente, continuei jogando. Preciso avisar a Super Interessante, eles precisam publicar isso.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Simetria na cara

Há uns anos atrás, vi uma matéria na TV que falava da simetria do rosto das pessoas. Como isto não é nenhuma novidade, vou relatar uma obsessão que acabei sofrendo. Então, recomendo a quem tiver tendência a TOC que não leia o que vem a seguir.

A matéria falava que a beleza está relacionada à simetria do rosto e corpo como um todo. Quanto mais parecidos nossas metades, tendemos a ser mais belos.

A princípio, isto se tornou um parâmetro a mais para julgar a beleza alheia. Mas com o tempo isso começou a influenciar demais no meu dia-a-dia.

Primeiro, algumas pessoas que eu achava bonitas tornaram-se distorcidas, tortas. Começou a ficar mais difícil de considerar alguém belo, principalmente as mulheres tornaram-se alvos fáceis. Chegou ao ponto de eu não conseguir conversar direito com alguém que tivesse a cara meio desalinhada, principalmente se os olhos fossem fora de prumo.

Tornou-se uma obsessão, eu acabava analisando simplesmente todo mundo, inclusive eu. Cheguei a ponto de não conseguir me olhar direito no espelho. Era como aquela música chata que grava na cabeça, ou quando você percebe a própria respiração e ela deixa de ser voluntária. Quanto mais você tenta esquecer, mais fica gravado em sua mente.

Mas isso foi útil em alguns aspectos. Primeiro percebi, que em filmes e novelas dificilmente alguém é enquadrado de frente, geralmente é um ângulo que mostre a fronte e a lateral do rosto. Isso ajuda a disfarçar os tortinhos.

Por outro lado não conseguia mais ver telejornais, porque os apresentadores estão sempre de frente. Acho que são eles os mais expostos e colocados à prova de suas simetrias ou assimetrias.

Se alguém estiver com vontade de ir até o espelho agora, pense melhor.

terça-feira, agosto 28, 2007

Tribaltech 2007




Sou um recluso, então como me levar a uma festa eletrônica? Com convites vip, ora buelas. Eu e minha namorada somos VIP. Ela, Very Important Person, eu, Very Insignificant Person. Logo, ela que tinha os convites.

No evento, perguntei à minha namo se era o bom o set que estava rolando, era um tal de Gui Borato (ficaria mais feliz se fosse Borat). Ela disse “nossa, essa música é fantástica”. Pensei “isso quer dizer que o equipamento não está no repeat, são músicas diferentes rolando”. Por outro lado se tivesse a levado ao show punk do 7Seconds ela iria pensar “porque eles dão uma pausa e repetem a música?”.

Depois comecei observar as pessoas e perguntei se elas estavam sacando as sutilezas que tornavam o set tão do caralho. “Não, duvido muito”. Realmente ninguém estava com cara de se divertir de verdade, praticamente nem dançavam, estavam mais preocupados em observar-se.

Percebi que a diversão dos VIPs é mostrar o quanto são powerful. Ah, tá, isso eu já sabia. Mas como não freqüento eventos VIP, senti pela primeira como a estrutura é bem pensada. Olhei para meu Allstar e orei para o reverendo Greg Graffin “volta Bad Religion”.

Dias depois pensei com mais calma e vi que não podia achar idiota o evento e seus VIPs. Não tinha esse direito. Freqüento eventos de carros antigos e acho o máximo. Sempre sonho com o momento em que vou possuir meu Passat LS 78 original e com uma roda legal e suspensão rebaixada estilo Dub e mostrar quem manda bem nesta merda, suckers!

Bem, cada um mostra o falo à sua maneira.

sexta-feira, junho 01, 2007

Aroma ou sabor do café, qual você prefere?


Café com leite, que aliás é algo que nem posso beber, é minha bebida preferida no inverno e muitas vezes no verão também. Mas o café tem um lado frustrante e subversivo ao meu ver.

É que eu prefiro o aroma do café ao sabor dele. Mal termino de prepará-lo e sei que o quê vou beber não é tão bom quanto o aroma. Talvez ainda não tenha tomado o melhor café do mundo, mas enquanto isso não acontecer, acho mais interessante o cheirinho de café que preenche o ambiente da casa. Já cheguei a sair do ap, dar uma caminhada e voltar apenas para sentir a casa impregnada com o aroma. Acho que vou fundar o CCC, Cheiradores de Café Crônicos.
E você, prefere o aroma ou o sabor? Se quiser, deixe um recado com “sabor” ou “aroma” e contribua para acabar um pouco com esta minha dúvida atormentadora e inútil.

segunda-feira, maio 28, 2007

Os dois lados do USB

Eu, conhecedor do básico do básico sobre computadores, divido a era da computação em pré e pós USB.

Antes do USB, conectar alguma coisa ao micro era uma grande jornada. Era necessário abrir o gabinete, colocar uma placa controladora (nem sempre) e aí instalar o treco usando uma interface esquisita. Depois de todo esse processo, o resultado era algo que não funcionava e exigia a chamada de um técnico. Maravilhoso.

Aí inventaram o tal do USB. Isso sim é que é maravilha. Você conecta até o seu cachorro e ele começa a latir nas speakers do desktop. Mas sempre há um porém.

Quando vou conectar o cabo, nunca acerto o lado e tenho que girar o plug para acertar o USB. Aí vem o questionamento: Por que não fizeram o plug assimétrico, como nas câmeras fotográficas? Eu acredito em duas opções.

Primeira: a idéia do USB é tão boa, tão cômoda, que os inventores, que precisaram criar algo que poupasse todo o trabalho do usuário ao conectar algo ao micro, não podiam deixar barato e criaram uma diversão. Saber que em 50% dos casos os usuários se enganam ao conectar a p@$*& do cabo.

Segunda: os designers do plug USB têm a mãe na zona.


Foto: www.sxc.hu

sexta-feira, maio 25, 2007

O Fim das Coisas


Eu tenho uma leve preocupação quanto ao futuro. Agora ela pode parecer bobagem, mas talvez, mais adiante, torne-se uma realidade.

Eu devia ter uns 8 anos e meu pai comprou um computador, um CP200. Para carregar um programa era necessário usar um gravador de fitas K7, sim, aquelas usadas até a década de 90. Também tinha que ligar na TV. Ainda lembro de mim e minha irmã surpresos “nossa, o que a gente digitar vai aparecer na TV? Todo mundo vai ver?”. Meu pai tinha a preocupação de se manter atualizado naquela época. Hoje não tem mais tanto interesse por computadores.

É bastante comum pessoas que nasceram antes do inicio dos PCs não gostarem deles, acha-los complicados e pouco amigáveis, a despeito do que diz o Sr. Gates. Eu também acho que às vezes o Windows prega umas peças. Por outro lado a interface é trocentas vezes melhor que o MS-DOS. Discussões a parte, para mim computador não é um bicho de sete cabeças. Ah, estou falando apenas de operação. Programação... bem programação é meio complicado, =)

Se operar um PC me parece simples hoje, será que no futuro próximo, quando não houver mais mouse e teclado, e os comandos forem feitos telepaticamente, o WiFi entre cérebros for algo super normal, será que não vou sentir saudades de pegar meu velho Pentium e digitar um texto para um blog? Ah, meio logo blogs também não vão mais existir e sabe por que? Pois no pós-modernismo tudo é efêmero, ora bolas. Talvez alguém me responda esse post dizendo que blog é coisa do passado, que o quente agora é sei lá o quê e por aí vai. Normal.

quinta-feira, maio 17, 2007

Terror no Putz


No dia 16 de maio fui na abertura do Putz ver o filme da Marina Peson,
“Memórias de Person”, que fala da vida do seu pai. Até aí tudo bem, gostei do filme e ela foi muito simpática na entrevista ao vivo (apesar de parecer bem cansada). O problema foi que eu acabei participando de uma cena de filme de terror.

Estava aguardando tranqüilamente a entrevista da Marina quando senti uma vontade irresistível de ir ao banheiro. Sai da sala e fui até o banheiro do Cine Luz. O banheiro é limpo e talz, but tem cara de várias décadas atrás, o que dava um certo clima de filme do Zé do Caixão.

Como os dois mictórios estavam ocupados optei por usar o “cercadinho”.
Estava quase terminando o serviço quando desligaram a luz. Nem deu tempo de gritar “Ô mane, liga a luz ae”, só ouvi o barulho da porta se fechando. Breu total. Um leve calafrio.

Terminei minha missão e tive a brilhante idéia (olha o trocadilho aí, gente!) de usar a famosa lanterna do meu celular. Putz (trocadilho parte 2), eu tinha deixado ele com minha namorada na sala de cinema. Calafrio parte 2.

Ok, nada de Pânico, é só ir em direção ao interruptor e acender a luz. Mas aí eu ouvi um tipo de sussurro, como alguém falando baixinho no celular. Senti que havia mais alguém comigo no banheiro... medo. Esperei alguém entrar e acender a luz, mas ao invés disso só a escuridão.

Abri a porta e dei dois passos bem pesados dentro do Box pra ver se alguém se mexia na frente do interruptor fluorescente para vir em minha direção. Nada. Pensei, “esse assassino é mais esperto do que eu pensava”. Fechei o box e esperei mais um pouco. Como ninguém entrava resolvi me encher de coragem, sair e enfrentar o inimigo.

Coloquei as duas mãos sobre a cabeça esperando o golpe de machado e fui saindo lentamente do box. A tensão crescia. Eis que surge meu carrasco: um cara entra no banheiro velozmente, liga a luz e me vê meio encolhido com as mãos protegendo a cabeça.
Cocei a cabeça e fiz que não era nada de mais. Ah, não lavei a mão, pois estava com muita pressa.

sábado, dezembro 16, 2006

Crônicas de um Passat 78


Sem Gasolina na via do Bi-articulado

Dedico esse texto ao Leo Sem Noção, que sempre foi um grande fã dos causos do Passatoso.

Era um insólito domingo de 2002 e fui ensaiar com a banda de rock da época em que estagiava na Bosch. O local era a casa da namorada do George, o então baixista, no quarto da avó (!) dela. Depois de finalizada a barulheira ele resolveu sentar em uma janela pra descansar um pouco e deu um “totozinho” em uma TV que estava do lado de dentro. Resultado: uma televisão de 29 polegadas aprendeu a voar e fez na seqüência um pouso forçado. Detalhe: era aniversário da garota! Fomos embora.

Como eu era o proprietário da bateria, da guitarra e do amplificador era eu quem os transportava. Adivinha aonde: no Passatoso, lógico. Deixei o batera Samuca perto do terminal de bus – acho que era o Capão Raso – e fui fazer o retorno pela República Argentina. A essa altura senti que algo estava estranho com o motor do Passat.

Em frente a um quartel tem um retorno, permitido, mas que é necessário andar alguns metros dentro da via do Bi-articulado. Confiante, apesar de tudo, dei seta e entrei. Porém o carro começou a morrer. Caralho, que hora pra isso acontecer! Forcei mais um pouco e nada. Nada? Eu estava com um carro relativamente pesado, carregado e estático dentro da via do expresso! Ok, nada de pânico, nada de borrar as calças. Abri a porta e me botei a empurrar o peso morto pra fora do alvo do bi-articulado. Por sorte era domingo e não estava movimentado o local. Parei em frente ao quartel e, desesperado, pedi ajuda para um oficial me ajudar a empurrar o carro para o estacionamento da rua. Com uma cara de pouco caso o guarda me ajudou a estacionar a máquina.

Precisava comprar gasolina para o bichinho e foi o que fiz. Problema: já eram umas 20:00 e eu estava com um carro sem seguro, num local suspeito, com um alarme fajuto e basicamente todo meu patrimônio dentro. Cheguei num posto que não recomendaria a ninguém e não tinha nenhum recipiente onde colocar a gasolina. Pra quem pretende ter um carro velho, principalmente se for beberrão, é um clássico recomendável ter uma garrafa de Coca-Cola 2 litros vazia no porta-malas. Por fim o pessoal do posto se propôs a me emprestar um daqueles galões de lavar o pára-brisa. Ia tudo bem até voltar ao carro. O bocal da gasolina ficava próximo à rua onde o trânsito começava a aumentar e o maldito galão era comprido, de forma que eu precisava ficar no meio da rua! Cada carro que passava era uma tirada com a minha cara: “Aí seu burro, olha o ponteiro de gasolina”, “Se fodeu seu trouxa, enche o tanque”, “Porque não pede pra tua mãe empurrar?”, etc.

Queria passar voando pelo posto e atirar o galão na cabeça do frentista, mas me contentei em ir pra casa sem ter levado nenhum cuspe dos motoristas engraçadinhos.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Crônicas de um Passat 78

Primeiro dia

A minha estréia no mundo motorizado não poderia ser das mais irônicas. Eu não tenho problemas com frio ou calor, mas dias nublados ou com chuva me incomodam um pouco. Um carro normalmente proporciona um transporte seco, o que viria a resolver em parte esse incômodo. Eis que exatamente no primeiro dia resolveu chover pra caralho.

Eu estava pilotando alegre e feliz pela rua Mariano Torres e estava um pouco frio. Olhava para fora e via as pessoas se molhando ou dentro do ônibus molhadas aguardando a oportunidade de salta e tomar um banhinho e pensava “haha, molhem-se seu mortais”.

Como disse estava um pouco frio, mas meus pés estavam com frio acima da média. Pensei “what the fuck?”. Botei a mão nos tênis e senti que estavam encharcados de água. Logo em seguida senti que uma pequena cachoeira adentrava o meu carro novo ano 78 e molhava o até então zombeteiro eu. Que seco que nada.

No dia seguinte eu e meu mecânico Sr. Burns descobríamos um furo de uns 10cm de diâmetro na parte que fica sob o painel do Passatão. Detalhe: estava caprichosamente tampado com massa de calafetar!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Crônicas de um Passat 78

A entrega

O dono do Passat o levou até a minha casa no bairro Portão, mas eu tinha que levar o sujeito de volta ao bairro Fazendinha. Pra quem mora em Beverly Hills, Batel ou Alphaville, o Fazendinha fica bem longe, mais ou menos na borda do mundo.

Era um domingo à noite com neblina e o lobos uivavam no Fazendinha.
A medida que me adentrava no bairro do nosso amigo, o antigo proprietário naturalmente foi conversando comigo, porém os assuntos não estavam sendo dos mais alentadores.

Ele revelou que era ex-policial e que havia muitas pessoas que não eram muito chegados a sua pessoa e que muitos deles conheciam detalhes da vida dele, inclusive o carro que ele usava, no caso, o que eu estava dirigindo naquele instante. Como eu ia pagar com cheques pré-datados pensei “ah, ele só está fazendo medo pra eu não sacanear com o pagamento”. Mas a realidade mostrou-se mais aterrorizante.

Próximo do destino, as ruas ficavam mais escuras, a neblina e o cheiro de carne repousavam mais intensamente pelo ar. Então ele me instruiu que ao voltar para minha casa parasse o carro e abastecesse imediatamente, já que a gasolina estava na reserva. Um frio correu pela espinha. Parei a uma quadra de sua casa (o pavimento não havia chegado àquela rua do Fazendinha e havia chovido na véspera). Antes de ele saltar, tateou os bolsos e disse “Puta merda, esqueci o meu revólver. Mas ok, pode ir”.

A essa altura estava mais preocupado em parar em uma farmácia para providenciar uma fralda do que abastecer o Passatão. Mas a uma velocidade nunca vista antes no bairro da Fazendinha atravessei as ruas esburacadas e sinistras e consegui abastecer o veículo e prosseguir ao meu destino de casa.

domingo, outubro 15, 2006

Crônicas de um Passat 78


A compra

Como o Passatoso foi o primeiro carro que comprei, resolvi convidar alguém que entendesse de carros mais do que eu para averiguar a sua qualidade. Chamei então o meu amigo Sr. Burns, a lenda viva do CEFET.

Lembro dele colocando a mão atrás da saída do escape para verificar a qualidade da fumaça. A mão ficou tão preta que ele até comentou “ainda bem que não coloquei minha cara aqui, hehe”. Então ele proclamou em tom solene “isso é apenas fuligem, o motor está bom”. Perguntei ao dono “ele não está baixando óleo?”. Para quem não sabe, isso quer dizer que o motor está com desgaste e começa a queimar o óleo lubrificante junto com a gasolina. Resposta: “não, não, ta novo”.

Ele queimava tanto óleo que pensei em fazer um bocal de óleo ao lado do de gasolina abastecer com maior agilidade. Mas justiça seja feita, o motor ap da VW dura muito tempo mesmo nesse estado. Viajei várias vezes pra minha terra natal e não tive problema algum, aliás, todo o carro funcionou muito bem. Eram 1050 km ida e volta. Muito bom pra um velhinho ano 78.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Crônicas de um Passat 78

Introdução

Nos últimos tempos tenho percebido o quanto eu gosto de contar histórias e o quanto acabo fazendo isso. Outra coisa que faço bastante e que só agora me dei conta, é que quando alguém conta uma história eu costumo puxar do meu arquivo mental algo parecido que tenha acontecido comigo e conto na seqüência. Bom, como de costume, as pessoas não têm o hábito de nos advertir do ridículo e demorei a perceber esse meu desagradável hábito. Desagradável por um motivo simples: parece que é lorota o que estou contando. Aliás, não agüento quando fazem o mesmo comigo.


Consciente desse fato, vou me policiar para ouvir mais e contar menos. Mas, para dar vazão a minha incontrolável vontade de contar, resolvi postar aqui fatos pitorescos e interessantes que aconteceram comigo durante a época em que possuía um Passat 78. Veja, já deixo claro que muitas das histórias são bem incríveis e apesar de terem acontecido não tenho condições de prová-las. Assim sendo, quem preferir, que as considere ficção da minha cabeça. Quem já tiver conhecimento de alguma das histórias pode postar dizendo se o relato está diferente do que ouviu. Por fim, se alguém achar que sou um grande ficcionista, aconselho que compre um Passat 78, um Fusca 66 ou mesmo um Chevette 80 e tire suas próprias conclusões.

terça-feira, setembro 12, 2006

Avões da FAB - 7 Set 06

Resolvi adicionar mais uns takes dos aviões de caça que fiz no sete de setembro.

Taí.

sábado, setembro 09, 2006

Roupa e marca


Meu objetivo é ao menos pertencer à classe B (bonito) no futuro. Mas como ainda pertenço à classe C (chinelo), costumo comprar roupas “de marca” quando estão em promoção.

Como no meu caso isso costuma ocorrer com uma marca em especial, já faz um bom tempo que tenho percebido algo curioso. As roupas em promoção - aquelas que foram refugadas pelos marcólatras - normalmente não mostram a marca de forma explícita, seja em estampa ou na etiqueta.

A primeira idéia que vem à cabeça é clara: de que adianta pagar caro se ninguém vai saber disso? Isso é meio óbvio. É aquele lance da construção da identidade e estilo através dos produtos de consumo e mídia, visualização hierárquica, demonstração de poder econômico e social.

Concluí algumas coisas interessantes. Veja em linguagem matemática (minhocas criativas):

-Postulado ou axioma1: roupa de grife confere status em um sistema social baseado no capitalismo.

-Teorema 1 (Conseqüência do axioma 1): Pessoas compram roupa de grife com o intuito principal de sinalizar visualmente seu alto poder aquisitivo (bufunfa).

-Teorema 2 (Conseqüência do axioma1): a roupa de grife deve apresentar signos claramente visíveis que identifiquem a característica “grife”.

-Teorema 3: verificando as características dos teoremas 1 e 2, é possível deduzir que o fator principal na compra da roupa de grife é a sua potencialidade de realizar a identificação de alto poder aquisitivo do adquirente. Logo, os demais fatores, como composição de cores, ajuste de formas e tipos de tecido, são tratados em segundo plano.

-Corolário1 (Conseqüência do Teorema 3): o uso de roupa de grife não é condição suficiente para estar esteticamente bem vestido.

Vou submeter esta análise ao meu amigo Stephen Hawking, mas Einstein me disse em sonho que está tudo absolutamente correto.

sexta-feira, setembro 08, 2006

NOFX no Brasil

Não vou ao show, pois não gosto e nunca gostei do som dos caras, apesar de ter tentado.

O grupo americano de hardcore melódico mais cultuado do mundo - junto com Bad Religion - vem da Califórnia visitar o lado obscuro do continente, a South America. A última vez que estiveram no país das bananas foi em 97, o que faz um bom tempo.

Tocam dia 30 de setembro aqui em Curitiba e passam também por Rio, Sampa e Porto Alegre, além de Argentina, Chile, Peru, Equador, Venezuela e Colômbia.

Bem que podia vir o Bad Religion ou No Fun at All - se ainda existisse. Saudades.

http://www.nofxofficialwebsite.com/tour/tour.php3

quinta-feira, setembro 07, 2006

Sete de setembro

Aviões da FAB

Estava em frente ao meu micro quando ouvia o habitual som dos aviões que passam sobre meu ap em direção do aeroporto. Porém, o ruído dessa vez estava mais alto que o normal, pensei, putz, hoje eu vejo um avião cair.

Mas era apenas a apresentação dos caças da força aérea que passavam coincidentemente por cima daqui. Apenas? Putz, foi muito empolgante, tanto que peguei minha cyberxoxot e filmei os bichinhos. Já aproveitei e fiz uma edição tosquinha, veja no link no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=tpHmsUYMOh8

quarta-feira, setembro 06, 2006

O parto

Sim, tenho sentido as dores do parto. Estou parindo. Acabei, agora vem a sensação de alívio, prazer e satisfação. Será que com as mulheres é assim?

Nos últimos dias tenho desenvolvido anúncios para meu portfólio, já que estudo e trabalho na área de criação. Nesse processo tenho percebido que esse setor tem algumas particularidades.

Falando por exemplo do setor de produção gráfica, com a qual já estive diretamente envolvido, a sua parte no processo de desenvolvimento de um anúncio tem várias etapas bastante claras. Assessorar o pessoal da criação e arte-final, acompanhar a qualidade dos fotolitos e o andamento da impressão na gráfica entre muitos outros. O desafio é resolver todas essas etapas.

No setor de criação, há todo um processo metódico como nos demais setores, porém há uma situação muito clara: enquanto não surgir a idéia, o processo posterior fica congelado em alguns aspectos. Toda a seqüência depende de uma idéia. Esse é o trabalho principal dos criativos. Dá pra fazer outras coisas em paralelo (como criar outro anúncio...) mas se a idéia não estiver surgindo, o bicho pega.

De forma análoga o CCPR usou como mote de seu anuário 2005 “Nós sofremos pela idéia” e um visual sado-masoquista. Criar a idéia angustia, mas dá prazer.

Parir idéias
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quinta-feira, agosto 31, 2006

BAD RELIGION
















BAD RELIGION

A história musical do Bad Religion é uma das mais respeitadas do underground(?) californiano. Porém há um fato propositadamente obscurecido pela banda e fãs. Trata-se do álbum Into the Unknown de 1983.

De saco cheio com a linha de montagem em série que o punk californiano da época estava se tornando, Greg Greffing e banda resolveram mudar radicalmente. As músicas ficaram com melodias pop e incluíram sintetizadores generosos. Uma heresia. Até hoje os fãs ficam com cara de bunda se questionados a respeito do passado negro dos deuses do punk melódico.

Como sou do contra, apesar de fã de carteirinha da banda, resolvi conhecer o polêmico álbum. A muito custo consegui baixar umas musiquinhas deles no emule - claro que assim que terminei de ouvir os sons eu os deletei... Mas o que acontece é o seguinte, o som é muito foda. Muito bom mesmo, brega, mas muito empolgante. Soa um pouco com o que fez o RPM no Brasil. Se bem que misturar rock, mau gosto e sintetizadores eram a máxima dos terríveis anos 80.

Arrependidos e resignados, lançaram em seguida o EP Back to the Known - De volta pra mesmisse... Mas eu adoro.